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Sexta-Feira, 02 de Junho de 2017

Os riscos dos extremismos da sabedoria convencional

Ciência que estuda a utilização dos recursos escassos é a origem do nosso conhecimento. Partindo para a microeconomia, estudamos que o interesse individual trabalha em benefício da sociedade. Neste sentido, a mão invisível é complementada pela ação do estado que também vem prol de uma sociedade. Logo, se as teorias se tornam tão simples, o que as torna complexas para a plena utilização? Ora, meus amigos, todas são aplicadas a sociedade, onde o interesse do estado é suprir as necessidades dos agentes econômicos que não foram beneficiadas pela ação microeconômica do interesse individual, para com a utilização dos recursos escassos. Este individuo agindo na sociedade, dentro dos limites naturais e mantendo o equilíbrio dos fatores de produção, dá pleno funcionamento para que as teorias possam ser aplicadas traduzindo-se nos resultados esperados. Todavia, outliers são encontrados em qualquer levantamento populacional ou amostral e, quando estes, começam se tornar representativos em seu modelo econométrico, dentro de uma sociedade, estamos encontrando os extremismos, tanto no excesso de utilização dos recursos escassos, ultrapassando o limite do equilíbrio dos fatores de produção, quanto na negligência do individuo perante seu papel na sociedade. E neste último é que se concentra o tema.
Recentemente passamos por um período recessivo, guiado por fatores econômicos e políticos. Falando assim, parece que a responsabilidade fica tão distante de nós. Mas outrora, enquanto o período expansionista se apresentava, os belos relatórios de planejamentos estratégicos, embasados em premissas macroeconômicas, sem as devidas análises e estudos sobre os efeitos que as transformam desviando-as das medianas e até mesmo extrapolando os limites dos desvios padrão calculados em torno da média, qualquer indivíduo poderia facilmente inferir perspectivas e projetar resultados. Isso nos remete aos conceitos da sabedoria convencional, onde se cria uma verdade absoluta que prevalece incontestável até que fatos as corrói, facilmente podendo ser comparadas entre um eucalipto e o bambu chinês. O primeiro cresce majestosamente, de forma rápida e impetuosa, mas suas raízes são superficiais o tornando frágil perante as oscilações do ambiente que o cerca. Entretanto, no segundo caso, o bambu chinês, por aproximadamente cinco anos, é uma pequena plantinha aparentemente frágil e estagnada. Porém, em seu reduto de aprimoramento, oculto aos olhos dos indivíduos, trabalha incessantemente criando raízes profundas que darão sustentação ao seu crescimento e perpetuação.
Entendo que estamos hoje vivendo um período onde os outliers prevalecem extrapolando os limites dos desvios padrão em torno da média e as sabedorias convencionais, ora tidas como verdades absolutas para modelos de negócios e gestão dos meios de produção, já foram desbancadas pelos fatos que as tornaram eucaliptos. Um efeito dominó desencadeado e como os mercados atuam normalmente nas expectativas, quando se alastra um sentimento depressivo, nos deixa engessados em nossos próprios medos, que envoltos em um mundo consumista onde os agentes econômicos tem preço e não valor, não nos permite tomar as ações necessárias para encontrarmos o equilíbrio natural. Hoje estamos retomando a atividade econômica, mas os mesmos problemas permanecem, estamos guiados por uma expectativa otimista, que outrora fora depressiva. Entretanto, os mesmos agentes econômicos que extrapolaram o equilíbrio da utilização dos meios de produção ou que negligenciaram tais efeitos em prol de um comodismo natural do ser humano, permanecem ativos na sociedade e facilmente agirão da mesma forma. Acredito plenamente que a fórmula mágica, se é que ela existe, para conseguirmos construir uma nação mais eficiente, aproveitando da melhor forma a utilização dos recursos escassos, sem extrapolar o limite dos fatores de produção, onde o interesse individual consegue gerar benefício para a sociedade e que, a parcela residual seja beneficiada pelo investimento oriundo do estado, dando as condições necessárias para ressaltar a teoria da mão invisível, esteja em nossas crianças podendo ter uma educação adequada e eficaz. Por sua vez, estas crianças, se bem educadas e comprometidas com a evolução da humanidade, irão gerar valor e não preço, onde suas éticas permanecerão com “S” e não com “$”, gerando assim, uma geração subsequente que será o nosso bambu chinês, altivo e sustentado por uma raiz forte e bem construída, sendo esta a condição sine-qua-non, para sobressair à sabedoria condicional.

Tarciano Mélo Cardoso
Presidente EcoSerra

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